10 setembro 2010

04 setembro 2010

Duas Vidas

Ordem para unir a experiência de vidas, vidas essas que ao abandono se sentiam brutalmente entediadas mas em união eram uma só vida, com desejo de alcançar o mundo numa braçada. Duas vidas unidas pela força de algo maior que cada uma era, um par de ilusão fazia com que o céu não fosse o limite, o limite seria muito mais do que aquilo que a nossa vista alcança, muito mais para alem desta existência universal, iriam passar do além presente para o além futuro com breves e fugazes lembranças do passado, muito subtis. Nessas vidas tudo era permitido, amar sem saber o significado da palavra, comer sem saber comer, beber sem saber beber, sonhar sem saber dormir, sorrir sem saber chorar, criar sem saber o quê, viver sem saber morrer, experimentar sem saber porquê. Duas vidas para amar e duas vidas para viver, cada uma com uma força maior que outra, cada uma será o par da outra sem que uma seja a primeira e outra a segunda, sem ordem definida.

Um olhar meu fisga o teu

Um olhar teu fisga o meu, iludido que o meu encontre o teu, não sei se o contrário acontecerá, mas não te preocupes com isso, age como se fosse verdade e talvez dessa forma aconteça mesmo, quem sabe até se já não aconteceu e estava distraído, tantas distracções me assolam, e nem preciso de te dizer pois sabes muito bem que sou distraído. No meio de tantas distracções já me deste um olá, sem qualquer retribuição da minha parte, mesmo assim me fisgas. Tenta, tenta… Quem não tenta nada consegue, quem tenta, alcançará ou não, mais uma vez fisgas o meu olhar, mais uma outra me olhas, e ainda assim não me senti. Desculpa por não te ver, um dia verei que estava cego na minha distracção, um dia vou ver, e nunca será tarde pois será esse o meu tempo, será nesse momento que um olhar meu fisga o teu.

24 fevereiro 2010

Nada de tudo

Nasci inspirado por aquilo que sou, nasci sem nada, sem nada vivo, sem nada deixo de existir… sem nada sou tudo o que pode existir, sem nada deixo de ser quem sou, sou um nada sem nada que deseja um tudo de nada…estranho.
Mesmo estranho estes factos com que gosto de ser e de pensar! Mesmo assim sou eu mesmo, por vezes isolado de tal forma que nem me sinto, nem tão pouco sinto o que me rodeia, continuo estranho e estranho vou ser, inspirado de novo e sempre no meu vazio, mas mesmo assim repleto de pensamentos banais, usuais na minha realidade. Desta forma nasci eu e desta forma vivo, inspirado por tudo de nada e por nada de tudo.

Coelho amarelo laranja e a insanidade

Era um coelho amarelo e laranja. Estava eu no mundo da fantasia, e claro está, a fantasiar como muitas vezes me acontece, neste mundo vejo de tudo, cuecas com gravata, cães que miam e gatos que ladram, pessoas que falam e grilos que tocam violino…enfim, cada coisa neste mundo que é mesmo verdade. Então se dizem que existem porcos a andar de bicicleta porque não posso eu ver todas estas coisas irreais mas verdadeiras! Se o Picasso viu gavetas a sair das pernas de uma mulher, também eu vejo isto e muito mais. Eu vi Deus e Ele era imenso, Ele era tudo, era o coelho amarelo laranja e também era eu. Mais doido sou eu que escrevo o que me vem á ideia ou tu que me “escutas” com olhos inquisidores!?
Também eu penso o que quiser de ti, penso maldade, bondade, malícia, generosidade, amizade, loucura e muita insanidade…eu penso o que quiser e faço o que não quero, sem controlo da loucura vou deambulando pelos dias contando cada momento em que vejo o coelho amarelo laranja.
Lá está ele…

Feliz / Infeliz

Agora que me sinto em pleno tu vais, fico na escuridão com os meus medos, até com a brisa nocturna me assusto. Ando na noite perdido e achado dos desencontros que vou levando vida fora e vida dentro, cada desencanto teu se transforma num desencanto meu, afinal estava iludido de que era feliz, seria assim tão infeliz que nem notei a tempo de me mudar para a caverna da felicidade! Bem agachado entrei na caverna, estava mais escuro lá fora sob as estrelas, na caverna da felicidade raiava o sol da lua por entre uma nesga de rocha partida com as lágrimas que brotavam do meu coração sempre que estava sentado e contente no meu mundo hipoteticamente feliz, afinal que raio de felicidade é esta que desconhecia!? Porcaria de habito que temos de ser felizes dentro de vidas infelizes…vou procurar de novo dentro da vida a felicidade, quase que me vejo a passar por este ciclo vicioso de feliz/infeliz/feliz…enfim…no entanto deduzo que a vida seja um ciclo, como tal tenho é que passar as partes más do ciclo o mais rápido possível, dessa forma aproveito com mais saber o que de melhor encontro e vivo.